Gripe aviária: por que alguns países barraram frango de todo o Brasil e outros só do estado ou município?
22/05/2025
(Foto: Reprodução) Governo brasileiro tenta que mais países façam bloqueios menos restritos, para reduzir impactos nas exportações. Por que alguns países barraram frango do Brasil todo e outros só de parte
Desde que o Brasil registrou o 1º caso de gripe aviária em uma granja comercial, há uma semana, mais de 20 países e blocos, como a China e a União Europeia, pararam de receber todo o frango nacional.
Esses bloqueios não são motivados por preocupação com o consumo, já que não existe risco, mas são precauções extremas, para evitar a contaminação de granjas no exterior.
Mas alguns países só têm restrição para produtos do Rio Grande do Sul, estado onde fica a granja afetada, ou apenas para a área onde foi registrado o foco.
O governo federal deseja que cada vez mais países adotem esses bloqueios restritos, a fim de diminuir impacto nas vendas para o exterior. Afinal, o Brasil é o maior exportador de frango do mundo.
Essa iniciativa é importante tendo em vista a dimensão continental do país, afirma o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.
"Você sabe, por exemplo, o quão distante é Shenzhen de Pequim? Eu não sabia [...] Ele [o chinês] também não sabe a distância do Paraná para o Rio Grande do Sul", ilustra Santin.
O caso de Montenegro é bem emblemático. No município, há apenas um frigorífico que exporta frango, conta o secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Marcel Moreira.
E o estabelecimento fica fora do raio de 10 km do foco de gripe aviária, detalha.
Ou seja, o impacto nas vendas para o exterior é pequeno quando o embargo é apenas para produtos vindos dessa área.
Mas, no caso de alguns países, como a China, maior comprador do Brasil, a restrição impacta automaticamente frigoríficos de todos os estados.
Como o Brasil busca evitar novos casos de gripe aviária?
Se não existe risco no consumo, por que países param de comprar?
Brasil é o maior exportador de frango do mundo.
RPC
Como os bloqueios são definidos?
A regra da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) para o comércio de frango e ovos em caso de gripe aviária é paralisar as importações de frigoríficos e granjas que estejam em um raio de 10 km do foco da doença.
Mas os países têm soberania para criar as suas próprias regras e definir bloqueios totais ou regionais, explica Santin.
Muitos partem do princípio da "precaução extrema" e preferem, depois disso, se informar de tudo o que está acontecendo no país atingido antes de retomar as compras.
"[Antes de retomar as importações], os países aguardam que a autoridade sanitária do Brasil, que é o Ministério da Agricultura, passe um relato no modelo que foi acordado dentro da Organização Mundial da Saúde Animal", acrescenta.
Esse relatório inclui todo o que foi feito pelo Brasil para acabar com o foco da doença e conter a disseminação da gripe, além da situação atual.
"É a partir das informações prestadas que o país começa a se sentir seguro para poder reabrir o mercado", diz Santin.
"É um excesso de precaução", reforça o presidente da ABPA. Isso porque, segundo ele, o Brasil desenvolveu um sistema "robusto" de controle sanitário na avicultura, desde a implementação do Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA), em 1994.
Na avaliação de Santin, esse sistema rígido conseguiu evitar, por dois anos, a entrada da gripe aviária em granjas comerciais. A doença chegou ao Brasil em maio de 2023, mas, até agora, tinha atingido apenas aves silvestres e criação doméstica.
Como flexibilizar os acordos?
O convencimento dos países para que adotem bloqueios menos abrangentes também passa por informar como é a produção nacional de aves: etapas de fiscalização, inspeção, vigilância e defesa sanitária.
"A área técnica do governo brasileiro vai ao país e começa a mostrar os controles que nós temos. Foi o que fizemos com o Japão. Ele recebeu essas informações e aceitou [a regionalização]", conta.
"Nós também fizemos esse pedido [de regionalização], há mais de 3 anos, para Coreia do Sul, China, Europa, México. Mas eles ainda não responderam", acrescentou Santini.
O Brasil tem acordos de bloqueios regionais para o município afetado, como é o caso do Japão e da Arábia Saudita, que também são grandes importadores de frango.
Outros acordos, como o que foi fechado com os Emirados Árabes, embargam produtos de frigoríficos localizados no raio 10 km do foco.
Como a China é o principal destino do frango nacional, o governo brasileiro reforçou a tentativa de flexibilização do embargo total logo após o caso em Montenegro (RS).
“Cinco dias é muito pouco tempo para que eles possam se sentir confiantes e regionalizar", disse o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, na última terça-feira (20).
"Eu compreendo o lado deles. Vamos trabalhar. Agora é hora de fazer a nossa parte para que então, em poucos dias, a gente proponha a regionalização”, acrescentou.
Raio X da produção e venda de carne de frango do Brasil
Arte g1
O que foi feito para impedir a gripe aviária de se espalhar?
arte / g1